27 fev 2026
Proficiência em língua portuguesa segue abaixo do registrado em 2022, antes da gestão Tarcísio. Governador comemora “crescimento expressivo, fruto de muito trabalho”
O desempenho dos estudantes de 9º ano das escolas estaduais de São Paulo melhorou em língua portuguesa e, em matemática, alcançou a maior média da série histórica. O rendimento, no entanto, segue abaixo do que seria adequado para a série.
O rendimento em português segue ainda abaixo do patamar registrado antes do início da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022.
Os resultados fazem parte da edição 2025 do Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), que foram divulgados pela gestão Tarcísio na manhã desta quarta-feira (25).
A média de proficiência dos alunos do 9º ano do ensino fundamental foi de 243 pontos –o que, segundo a escala do governo, significa que os estudantes de 14 e 15 anos têm conhecimentos básicos esperados para o final da etapa. Ou seja, ainda não atinge o que seria considerado o adequado.
A média registrada em língua portuguesa é superior ao que foi registrado nos dois anos anteriores, quando foi de 240,3 e 234,4, em 2025 e 2024, respectivamente. Apesar do aumento, ela não supera o nível que era registrado antes do início do governo Tarcísio. Em 2022, a média dos estudantes dessa série era de 249,6.
Isso significa que apenas metade dos estudantes chega ao fim do ensino fundamental sabendo interpretar, por exemplo, um cartaz de divulgação de uma campanha de combate à dengue. Além disso, só metade consegue identificar o personagem protagonista em trecho narrativo ficcional.
Em matemática, a média foi de 260,3 —também em um patamar considerado básico para a etapa. Essa foi a maior média já registrada pelos estudantes dessa série no Saresp. A nota é próxima ao que foi registrado antes da pandemia, em 2019 (259,9 pontos).
A avaliação identificou, por exemplo, que apenas 12% dos alunos chegam ao 9º ano conseguindo calcular o novo valor de uma mesada após um aumento de 10%. Menos de 25% dos alunos dessa série conseguem calcular o resultado de “3 elevado ao quadrado” (32).
O governador Tarcísio participou da apresentação dos dados e comemorou os resultados. “Esse é um crescimento expressivo, fruto de muito trabalho. Não se trata de não enxergar que há ainda muitos avanços, mas a gente precisa celebrar cada passo dado”, disse.
Para ele, apesar dos “avanços expressivos” ainda há muito a se fazer. “Os alunos do 9º ano carregam uma série de deficiências adquiridas na pandemia e que impactam no rendimento até hoje. Por isso, nós estamos apostando no programa de tutoria para auxiliá-los.”
Essa foi a primeira vez que o governador participou da apresentação dos dados do Saresp.
Em matemática, a média foi de 260,3 —também em um patamar considerado básico para a etapa. Essa foi a maior média já registrada pelos estudantes dessa série no Saresp. A nota é próxima ao que foi registrado antes da pandemia, em 2019 (259,9 pontos).
A avaliação identificou, por exemplo, que apenas 12% dos alunos chegam ao 9º ano conseguindo calcular o novo valor de uma mesada após um aumento de 10%. Menos de 25% dos alunos dessa série conseguem calcular o resultado de “3 elevado ao quadrado” (32).
O governador Tarcísio participou da apresentação dos dados e comemorou os resultados. “Esse é um crescimento expressivo, fruto de muito trabalho. Não se trata de não enxergar que há ainda muitos avanços, mas a gente precisa celebrar cada passo dado”, disse.
Para ele, apesar dos “avanços expressivos” ainda há muito a se fazer. “Os alunos do 9º ano carregam uma série de deficiências adquiridas na pandemia e que impactam no rendimento até hoje. Por isso, nós estamos apostando no programa de tutoria para auxiliá-los.”
Essa foi a primeira vez que o governador participou da apresentação dos dados do Saresp.
Os resultados também mostram avanço dos alunos do 2º ano do ensino fundamental (alunos de 7 e 8 anos) em matemática, mas piora em língua portuguesa. Na primeira área avaliada, a média foi de 200,8 pontos —acima do registrado, em 2024, quando foi de 196,7. Já em português, a nota caiu de 195,8 para 191,7.
No 5º ano do ensino fundamental, foram registrados os avanços mais significativos. Em matemática, a média foi de 236,3 —a maior da série histórica. Em português, foi de 217,9, patamar abaixo do que já havia sido registrado em 2016 para os alunos de 10 ou 11 anos.
O governador e o secretário de Educação, o empresário Renato Feder, destacaram a importância das plataformas digitais para alcançar os resultados apresentados nesta quarta. Eles defenderam que essas tecnologias tornaram a escola “muito mais organizada”.
“O que explica um aumento tão robusto de um ano para o outro? É que temos hoje uma escola muito mais organizada, com um professor que já entra preparado para dar aula. Nós temos a Sala do Futuro, por exemplo, em que o professor sabe qual aula precisa dar, qual conteúdo seguir, depois acompanha se seus alunos fizeram lição”, disse Feder.
Conforme mostrou a Folha, o uso intensivo de plataformas educacionais tem gerado críticas de alunos e professores. Estudantes já chegaram a hackear esses aplicativos para burlar a exigência de uso. O Ministério Público também já pediu para que o governo deixe de exigir o uso delas nas escolas paulistas.
Ensino médio
Os dados de rendimento do ensino médio não foram divulgados. Os estudantes dessa etapa fizeram o Provão Paulista, criado em 2023 para ser um vestibular e que substituiu o Saresp nessa etapa.
A gestão Tarcísio anunciou que vai fazer uma nova edição do Saresp em junho deste ano apenas para os estudantes do 3º ano do ensino médio, para assim ter um instrumento que permita avaliar a evolução dessa etapa em toda a rede estadual.
Nos últimos dois anos, quando foram apresentados os dados do Saresp de 2023 e 2024, a Secretaria de Educação disse ter “equalizado” as médias do Provão Paulista para que fossem comparáveis às de anos anteriores com o Saresp.
Essas notas “equalizadas” foram usadas nos últimos dois anos para definir o pagamento de bônus aos professores e até mesmo como critério para o afastamento de diretores escolares. Agora, o governo Tarcísio reconhece que não era possível fazer a comparação.
Em novembro do ano passado, a Folha mostrou que a gestão Tarcísio ignorou um alerta de que não havia embasamento estatístico para usar o Provão Paulista para avaliar as escolas de São Paulo e penalizar professores e diretores.
Fonte: Folha de São Paulo
Imagem: Freepik