15 maio 2026
Experiências na América Latina revelam como projetos STEM ajudam alunos a vivenciar o rigor científico ao investigar problemas reais e validar soluções
Você provavelmente acompanhou no mês passado muito burburinho nas redes sociais sobre rigor científico, impulsionado pelo debate sobre os estudos da polilaminina no Brasil.
Nessa conversa, fica evidente que ciência não é opinião, é processo. Isso vale desde a criação de um novo medicamento até projetos em sala de aula. Todos precisam cumprir o método científico, incluindo a observação, formulação de hipóteses, testes, análise de dados e revisão de resultados.
Para professores da educação básica, usar projetos STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) pode ser uma forma eficaz de mostrar, na prática, como o rigor científico funciona, e por que ele é indispensável. Mais do que conteúdo teórico, esse tipo de experiência coloca os estudantes diante de problemas reais.
Por exemplo, para desenvolver um protótipo que transforma a experiência musical para pessoas com deficiência auditiva, os estudantes do projeto “NeuroBeethoven” precisaram não apenas desenvolver a parte técnica, mas testar o protótipo com usuários reais. A solução consegue “traduzir” o som em ondas vibratórias, possibilitando que pessoas surdas ou com baixa audição sintam a música e até aprendam a tocar instrumentos de percussão.
O projeto foi finalista do programa Solve for Tomorrow em 2024 e, junto da alfabetização científica, desenvolveu as habilidades socioemocionais dos alunos. Os jovens tiveram que superar a timidez e a barreira linguística (já que não sabiam Libras) para ganhar a confiança de organizações que trabalham com pessoas surdas para poder fazer o teste. Essa etapa foi fundamental porque revelou ao grupo que há possibilidade de diferentes interpretações das vibrações, ou seja, existe a possibilidade de que as pessoas surdas ou com baixa audição sejam mais sensíveis às vibrações e possam tocar instrumentos.
Ciência se aprende testando (e muito)
Um dos maiores aprendizados dos projetos STEM é que não existe resultado imediato. Testar, errar, ajustar e tentar novamente faz parte do processo. Esse ciclo contínuo ajuda os estudantes a desenvolverem paciência, pensamento crítico e resiliência. Em projetos escolares, os jovens rapidamente percebem que uma ideia inicial raramente funciona perfeitamente e aprendem a importância das variáveis.
No projeto “Rhizobium“, voltado à sustentabilidade rural, estudantes precisaram testar suas soluções em diferentes condições ambientais. Após bons resultados em laboratório, os testes no campo falharam, o que quase fez os estudantes desistirem. Mas eles continuaram investigando e, ao comparar as etapas, descobriram que a diferença de temperatura afetava o processo, levando a ajustes no método para evitar a fermentação das sementes. O resultado: o projeto foi vencedor do programa Solve for Tomorrow no Peru, em 2024.
Projetos STEM também ensinam que ciência é um esforço coletivo. No projeto “Bastet Haus“, finalista do Solve for Tomorrow na Argentina (2024), estudantes transformaram bitucas de cigarro em tijolos sustentáveis. O avanço só foi possível com o apoio de professores, especialistas e parceiros externos. A equipe testou diversos protótipos em uma faculdade de engenharia e foi apenas assim que surgiu a ideia de reduzir custos e criar versões encaixáveis, um dos diferenciais da inovação. No projeto, foi o conhecimento construído em conjunto e validado por diferentes olhares que levou ao resultado final.
Em sala de aula, o rigor científico não depende do tamanho ou da complexidade do projeto. Alunos devem ser incentivados a documentarem processos, justificarem escolhas, analisarem resultados e reconhecerem limitações. Desse modo, os educadores já estão promovendo uma formação científica sólida.
Saiba mais sobre a plataforma Solve for Tomorrow Latam
O conteúdo da plataforma Samsung Solve for Tomorrow Latam é coordenado e produzido pela Agência Porvir e voltado à rede de educadores de todos os países da América Latina. Disponível em português, inglês e espanhol, a plataforma oferece uma coleção abrangente de referências e práticas pedagógicas inspiradoras em educação STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). O material é fruto das experiências de educadores que participaram do Samsung Solve for Tomorrow nos últimos 10 anos, compartilhando projetos inovadores realizados em escolas públicas da América Latina.
Fonte: Porvir