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25 abr 2016

Educação sem barreiras em Natal

Para colocar em funcionamento as salas multifuncionais, 68 professores estão em permanente capacitação. Os professores que atuam nas salas especializadas passam por processos de atualização das práticas educacionais e pedagógicas para desenvolver este serviço. 

A organização e a administração desses espaços são de responsabilidade da gestão escolar e o professor que atua com este serviço educacional deve ter formação para o exercício do magistério de nível básico e conhecimentos específicos de educação especial, adquiridos em cursos de aperfeiçoamento e de especialização. O objetivo primordial é garantir ao aluno com deficiência o acesso e as condições para uma educação de qualidade.

De acordo com a chefe do Setor de Educação Especial da SME, Suedna Maria Varela de Lima, as Salas de Recursos Multifuncionais são espaços físicos localizados nas escolas da rede onde se realiza o Atendimento Educacional Especializado (AEE). As salas possuem mobiliário, materiais didáticos e pedagógicos, recursos de acessibilidade e equipamentos específicos para o atendimento dos alunos que são público-alvo da Educação Especial e que necessitam do atendimento especializado no contraturno escolar.

O ensino oferecido no atendimento educacional especializado é necessariamente diferente do ensino escolar e não pode caracterizar-se como um espaço de reforço escolar ou complementação das atividades escolares. O público-alvo é composto por alunos com deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades ou superdotação.

Alunos dispõem de salas multifuncionais em 45 escolas da rede de Educação mantida pela Prefeitura de Natal (Foto: Marco Polo/Prefeitura do Natal)
Alunos dispõem de salas multifuncionais em 45 escolas da rede de Educação mantida pela Prefeitura de Natal (Foto: Marco Polo/Prefeitura do Natal)

O Setor de Educação Especial da SME se responsabiliza com os assessoramentos nas unidades de ensino e com as formações continuadas e destinadas aos professores que atuam nas salas funcionais. Essa formação ocorre mensalmente, a fim de formar o professor no seu turno de trabalho e de contemplar suas necessidades. Este ano, a formação é realizada em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A Escola Municipal São Francisco de Assis, no bairro de Nazaré, Zona Oeste da capital potiguar, possui uma dessas salas multifuncionais. A professora Zulmira Palhano é a responsável pelo acolhimento e formação dos alunos portadores de necessidades especiais. Para a educadora, acolher os alunos que precisam do atendimento especializado é muito gratificante e engrandece nos campos pessoal e profissional.

Zulmira é professora da rede pública municipal há 26 anos e se emociona ao relatar os avanços conquistados pelos seus alunos. “Muitos chegam aqui inibidos, não sabem escrever, nem ler, mas, após toda atenção e estímulos pedagógicos recebidos, e com o trabalho diferenciado que nós proporcionamos, as conquistas acontecem de uma forma rápida”, relata. Os sucessos obtidos pelo trabalho motivam a professora a seguir atuando junto aos alunos, mesmo após a aposentadoria. “Estarei aposentada daqui a três anos, porém, seguirei na ativa como amiga da escola”, garante.

A sala com computadores e repleta de jogos, livros, material didático e pedagógico é quase como um parque de diversões para os alunos. Um deles, Diego Vasconcelos, 9, frequenta a sala multifuncional semanalmente e disse que se sente à vontade no ambiente. Ele tem déficit de atenção e já conseguiu importantes avanços na vida escolar depois que passou a ter atendimento especializado. “Tudo aqui é muito legal. Antes, eu tinha dificuldade com as letras. Era muito difícil formar as palavras, só que agora estou conseguindo ler e escrever melhor”, comemora Diego.

A pequena Beatriz Dias, 8 anos, tem dificuldades na audição e na fala. Essas barreiras físicas são pequenas frente à garra e determinação que ela mostra. Ela também está no grupo de alunos atendidos e vem dando saltos significativos na vida escolar. “Fico muito feliz quando aprendo a ler e a escrever novas palavras, bem como quando termino de ler um livro. Quero aprender cada vez mais para ter um futuro melhor”, afirma a dedicada aluna, que reveza suas atenções entre o computador e as tarefas escolares.

Essas pequenas conquistas cotidianas são compartilhadas pelas famílias dos estudantes. A mãe de Beatriz, Suely Dias, não esconde a felicidade com a evolução da menina. Ela lembra que a realidade de Beatriz antes do atendimento especializado era muito dura. Agora, a mãe orgulhosa projeta um horizonte bem mais promissor para a filha. “Foi uma mudança drástica. Ela é uma nova menina. Mais esperta, comunicativa e que interage melhor conosco e com os amigos”, define Suely Dias.

Fonte: G1