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4 jun 2025

Formação técnica ganha força entre jovens em busca de propósito e profissão

Estudo revela que os jovens acreditam na formação técnica como chave para acessar o mercado, alinhar carreira e valores e construir seu próprio futuro

Qual é a aposta dos jovens para o seu futuro? Dados de uma pesquisa do Senac São Paulo, em parceria com o Instituto Locomotiva, mostram que 84% dos jovens de 14 a 18 anos acreditam que fazer cursos formais é fundamental para atuar nas novas profissões. Além disso, 86% veem o ensino técnico como aliado na construção de uma carreira, 85% consideram essa formação porta de entrada para o mercado de trabalho e 92% estão confiantes no próprio sucesso profissional.

Esse cenário contrasta com os discursos que circulam nas redes sociais, desestimulando os estudos e desvalorizando a formação técnica. “Os dados revelam uma geração que, mesmo exposta a esses conteúdos, aposta no conhecimento como ferramenta para alcançar estabilidade, propósito e realização”, afirma Fernanda Yamamoto, coordenadora do Ensino Médio Técnico do Senac São Paulo.

Escola como aliada

A confiança na educação também aparece nos planos para os próximos anos. Entre os estudantes do ensino fundamental, 74% escolheriam um curso técnico integrado ao ensino médio. A maioria afirma que deseja alinhar seus valores pessoais à profissão escolhida e acredita que, quanto mais anos de estudo, é maior a chance de crescimento financeiro. “Mesmo expostos a conteúdos digitais que desestimulam a educação, 79% consideram prejudicial o incentivo ao abandono dos estudos”, diz Fernanda.

Para 74% dos jovens, os professores são referência maior do que influenciadores digitais — sinal de que a escola segue como espaço legítimo de formação. De acordo com Fernanda, o papel do educador é central nesse processo. “Eles ajudam os jovens a acreditarem em si mesmos. Essa geração só precisa de alguém que diga: ‘Você pode ser tudo o que quiser’. E esse é o nosso papel”, afirma.

Aprender para transformar

Essa visão positiva sobre a formação técnica se conecta ao Jeito Senac de Educar, modelo pedagógico baseado em metodologias ativas, valorização da diversidade e estímulo ao protagonismo dos alunos (leia mais na pág. 8). “A educação profissional é inclusiva e transformadora. Ela oferece identidade a quem, muitas vezes, não se via como parte legítima do mundo do trabalho”, diz Fernanda. “Os alunos saem com uma percepção diferente sobre si mesmos e passam a ter voz”, completa.

A proposta é aproximar os conteúdos da realidade dos alunos, com experiências práticas e aplicadas. “É comum ouvir de um aluno: ‘Agora a matemática faz sentido’”, conta Fernanda. “Eles percebem o uso concreto da ciência, da gestão, da comunicação. Isso dá propósito ao que aprendem e ajuda a construir projetos de vida mais sólidos.”

Educação que gera oportunidades

O compromisso do Senac com a democratização da educação se reflete nos números. Só em 2024, mais de 560 mil matrículas foram realizadas nas 63 unidades do Senac São Paulo, boa parte por meio do Programa Senac de Gratuidade. Ao longo da última década, mais de 1,4 milhão de pessoas foram beneficiadas com bolsas integrais. Para o 2º semestre de 2025, estão previstas mais de 78 mil novas bolsas distribuídas em todo o Estado de São Paulo.

“Em geral, a sociedade valoriza mais o ensino superior como caminho de sucesso e desconhece as vantagens da formação técnica, que oferece inserção rápida e qualificada no mercado”, diz Fernanda Yamamoto.

Da teoria à prática

O Geração Senac traduziu essa proposta em experiências reais. Oficinas de animação, Toy Art, gastronomia e design de games permitiram que os visitantes testassem habilidades e descobrissem interesses. “Muitos nunca imaginaram que poderiam criar um parque ou desenvolver um jogo. E descobriram que é possível aprender dessa forma”, analisa Fernanda.

Ao ampliar horizontes e construir pontes entre presente e futuro, a educação profissional revela seu papel mais poderoso: libertar trajetórias, abrir caminhos e permitir que cada um seja o que quiser ser — com propósito, identidade e pertencimento. “Essa escola serve para que cada estudante entenda quem é, de onde veio e o impacto que pode causar no mundo”, conclui Fernanda.

“Quem vem ao Senac busca mudar de vida, e a gente está preparado para isso, com centenas de cursos em áreas como gastronomia, moda, tecnologia e meio ambiente. A melhor forma de criar o futuro é fazendo”, resume Gilberto Garcia, Gerente de Desenvolvimento do Senac São Paulo.

E os resultados são concretos. Segundo dados do Departamento Nacional do Senac, cerca de 70% dos alunos conseguem emprego em até um ano após a conclusão do curso. “A educação técnica impulsiona o País ao formar profissionais para áreas estratégicas. Ela deveria ser vista não como uma alternativa de segunda linha, mas como uma trilha sólida para quem quer transformar a própria vida”, complementa Gilberto.

Jovens veem educação como chave para o futuro

Fonte: Pesquisa Senac São Paulo e Instituto Locomotiva (2025)

Jeito Senac de Educar une protagonismo, prática e propósito

Mais do que ensinar uma profissão, o Senac acredita na educação como ferramenta de transformação social e desenvolvimento pessoal. “É o que chamamos de Jeito Senac de Educar, porque entendemos que a formação profissional precisa alinhar o pensar e o fazer. Não são coisas distintas”, explica Gilberto Garcia, Gerente de Desenvolvimento do Senac São Paulo.

A metodologia aposta em projetos colaborativos e no desenvolvimento de competências para a vida — das habilidades técnicas às socioemocionais, como empatia, criatividade e trabalho em equipe. A instituição oferece formação em todos os níveis, do ensino médio à pós-graduação, além de cursos livres e técnicos, em áreas como moda, gastronomia, saúde, tecnologia da informação, meio ambiente, entre outras, explica Gilberto Garcia.

Com base no protagonismo dos alunos, o Senac entende que formar um bom profissional é também formar um cidadão crítico, capaz de enfrentar os desafios contemporâneos. “No passado, a educação era para poucos e não tinha utilidade para o cidadão comum. Isso mudou. Hoje, grande parte do que precisamos saber está na escola. Quem não domina esse conhecimento começa mal. Não há país bem-sucedido que não tenha uma educação de qualidade”, avalia Claudio de Moura Castro, autor do livro Pensar e Fazer Educação: memórias de um pesquisador irrequieto entre governos e burocracias, da Editora Senac São Paulo.

“Por isso, o Geração foi uma excelente oportunidade para que mais pessoas pudessem experimentar e conhecer de perto o Jeito Senac de Educar”, finaliza Garcia.

Fonte: Estadão

Imagem by frimufilms on Freepik