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23 mar 2017

MEC vai analisar contribuições ao novo currículo do ensino médio

 

Segundo Pereira, o texto inicial recebeu cerca de 12 milhões de contribuições e retornou para o governo, para, então, ser enviado aos 27 comitês estaduais. A discussão agora volta ao MEC, e o resultado dela vai exigir mudanças na formação inicial e continuada de professores e nas avaliações do ministério e dos estados sobre os resultados da educação. Pereira também prevê que o material didático passe por um processo de revisão.

A Base Nacional Curricular Comum deve ocupar 60% da carga horária do ensino médio, segundo a reforma. Os 40% restantes serão preenchidos pelos chamados itinerários formativos, em que o estudante poderá escolher entre cinco áreas de estudo: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional.

As mudanças com a reforma do ensino médio devem levar o Conselho Nacional de Educação a ajustar 11 resoluções, disse o presidente do órgão, Eduardo Deschamps, que também vê a necessidade de adaptar regulamentações e normas infralegais. Para Deschamps, que também é secretário de Educação de Santa Catarina, a formação dos professores será um dos maiores desafios.

"A questão da formação dos professores é chave. A gente vai precisar trabalhar com um professor que consiga ter um conceito de integração de conteúdos, de conceitos e ideias, com metodologia baseada em projetos", disse Deschamps. Ele explicou que serão necessárias ações de curto, médio e longo prazo para adequar a formação dos docentes.

No curto prazo, será preciso capacitar, o mais rapidamente possível, os profissionais que já integram as redes e, no médio e longo prazos, rediscutir a formação dos professores nas universidades, o que produz resultados apenas cinco anos após a definição das mudanças. Deschamps destaca que, antes disso, a definição da base curricular é prioritária. "É peça fundamental para o processo e precisa tratar aquilo que é fundamental para todos os estudantes, independentemente da trajetória."

A coordenadora do programa FGV - Ensino Médio, Marieta Ferreira, que organizou o seminário, disse que ainda há muita indefinição na reforma, já que a base curricular é o que vai orientar os próximos passos. "Há uma interrogação em como as coisas de fato vão acontecer. Muitas pessoas acham importante que haja uma reforma, agora é preciso saber bem como ela vai ser implementada. Como a base curricular ainda não está pronta, ainda há uma série de interrogações acerca da eficácia e do formato final."

Presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação, Idilvan Alencar destacou alguns pontos que considera de desafios da reforma: o financiamento das mudanças, o ensino médio noturno e a educação em áreas rurais. "Não existe reforma de ensino médio em escola nenhuma se não for aberto um intenso processo de escuta de diretor, professor e aluno. A força da lei, por si só, não vai chegar na escola", disse Idilvan, que é secretário de Educação do Ceará.

Fonte: Agência Brasil